O 13 de maio não deve ser tratado como uma celebração concluída, mas como um marco que nos obriga a refletir sobre uma liberdade incompleta. A Lei Áurea rompeu juridicamente com a escravidão, mas não garantiu terra, trabalho, educação ou cidadania para a população negra. No dia seguinte à abolição, o Brasil manteve intacta a estrutura de exclusão que empurrou milhões de negros e negras para a marginalidade social.
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Essa ausência de reparação ajudou a consolidar o racismo estrutural que ainda hoje se expressa na violência, na desigualdade de renda e na falta de oportunidades. Por isso, conquistas como as cotas raciais e o Estatuto da Igualdade Racial não são favores do Estado, mas resultado da luta histórica do movimento negro brasileiro.
Como historiador e militante, reafirmo: a verdadeira abolição só existirá quando a cor da pele deixar de definir o destino de qualquer brasileiro.
Acrísio Sena
Historiador e Dirigente do PT.