Ao afirmar que seus novos aliados são “bolsonaristas honrados”, Ciro Gomes revela não apenas uma aliança eleitoral, mas uma profunda contradição política.
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Durante décadas, Ciro construiu sua imagem defendendo o desenvolvimento nacional, a presença estratégica do Estado na economia e reformas estruturantes para enfrentar as desigualdades brasileiras. O bolsonarismo, por sua vez, representa justamente o oposto: o entreguismo, a redução do papel do Estado, o enfraquecimento das políticas públicas e a submissão dos interesses nacionais ao mercado.
Como conciliar projetos tão incompatíveis? A resposta parece estar menos na política e mais na conveniência. Diante do isolamento político e da dificuldade de construir uma alternativa viável, Ciro abandona antigas convicções e se aproxima daqueles que, durante anos, apresentou como adversários do Brasil que dizia defender.
A questão não é apenas a aliança. É o que ela simboliza. Ao tentar transformar bolsonaristas em parceiros aceitáveis, Ciro acaba revelando o quanto se distanciou das ideias que um dia afirmou defender. No caminho da busca pelo poder, perdeu a coerência política e programática.
No fim das contas, a frase sobre os “bolsonaristas honrados” diz menos sobre seus novos aliados e muito mais sobre a trajetória de um líder que trocou convicções por conveniências.
Acrísio Sena
Dirigente estadual do PT-CE